Menino sentado sozinho no canto de uma biblioteca
Imagem: Mikhail Nilov / Pexels (Licença Pexels)

O bullying deixa marcas profundas. Pais atentos podem perceber os sinais e agir com sabedoria, seja quando o filho é vítima, seja quando é o autor.

Apelidos humilhantes, exclusão de grupos, agressões físicas, mensagens ofensivas nas redes sociais. O bullying é uma realidade em muitas escolas e pode causar sofrimento intenso a crianças e adolescentes. Muitas vezes, os pais só descobrem o problema quando ele já está grave. Saber reconhecer os sinais e agir corretamente faz toda a diferença.

O que é bullying

A Lei nº 13.185, de 2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, define o bullying como todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-las ou agredi-las, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder.

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A mesma lei cita exemplos como ataques físicos, insultos pessoais, apelidos pejorativos, ameaças, expressões preconceituosas e isolamento social consciente e premeditado. Também reconhece o cyberbullying, praticado por meios digitais.

Em 2024, a Lei nº 14.811 incluiu no Código Penal o artigo 146-A, que tipifica a intimidação sistemática (bullying) e prevê pena mais grave quando ela ocorre em ambiente virtual.

O olhar bíblico

A Bíblia afirma que todo ser humano foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Humilhar, excluir ou agredir alguém fere essa dignidade. Jesus ensinou a tratar os outros como gostaríamos de ser tratados (Mateus 7:12) e se colocou ao lado dos fracos e marginalizados.

Provérbios lembra que a língua tem poder sobre a vida e sobre a morte (Provérbios 18:21). Palavras repetidas de desprezo podem marcar uma criança por muitos anos.

Sinais de que o filho pode ser vítima

  • Resistência em ir à escola ou queixas frequentes de dores sem causa aparente;
  • Material escolar danificado ou perdido com frequência;
  • Machucados sem explicação clara;
  • Isolamento, tristeza, irritabilidade ou alterações no sono e no apetite;
  • Queda no desempenho escolar;
  • Ansiedade ao usar o celular ou as redes sociais.

Como agir se o filho for vítima

  1. Ouça com calma. Agradeça pela confiança e mostre que ele não tem culpa.
  2. Não minimize. Evite frases como “isso é coisa de criança” ou “ignore”.
  3. Registre os fatos. Anote datas, situações e, no caso de cyberbullying, guarde prints das mensagens.
  4. Procure a escola. Converse com a coordenação, apresente os fatos e peça providências.
  5. Acompanhe. Verifique se as medidas foram tomadas e se a situação mudou.
  6. Busque apoio. Se houver sofrimento emocional intenso, procure ajuda psicológica. Em casos graves, busque orientação jurídica e as autoridades competentes.

E se o filho for o autor?

Descobrir que o próprio filho pratica bullying é doloroso, mas exige ação firme e amorosa:

  • Não negue o problema. Ouça a escola com abertura.
  • Converse com o filho. Procure entender o que está por trás do comportamento.
  • Mostre as consequências. Ajude-o a perceber o sofrimento causado ao outro.
  • Incentive a reparação. Pedir perdão e mudar de atitude fazem parte do processo.
  • Acompanhe de perto. Mantenha contato com a escola e observe as mudanças.

Crianças que praticam bullying muitas vezes também precisam de ajuda. A correção deve ser firme, mas sem humilhação.

E as testemunhas?

Muitas crianças presenciam o bullying e não sabem o que fazer. Ensine seus filhos a não participar, a não rir das humilhações, a apoiar quem está sendo agredido e a contar a um adulto de confiança. Ser amigo de quem está sozinho é uma forma concreta de viver o amor ao próximo.

Prevenção começa em casa

Lares onde há respeito, diálogo e acolhimento ajudam a formar crianças mais seguras e empáticas. Conversar sobre o tema, ensinar a valorizar as diferenças e dar o exemplo no modo como os pais tratam as pessoas são formas de prevenção.

Um convite para esta semana

Pergunte aos seus filhos como estão as relações na escola. Há alguém sendo excluído ou zombado? Eles se sentem seguros? Ouça com atenção e converse sobre como cada um pode ser instrumento de proteção e amizade.

Proteger as crianças do bullying é responsabilidade de pais, escola e comunidade, e uma forma de honrar a dignidade que Deus deu a cada uma delas.

Citações bíblicas: Nova Versão Internacional (NVI).

Imagem de capa: Mikhail Nilov / Pexels (Licença Pexels)

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