Três em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos dizem se sentir tristes “sempre” ou “na maioria das vezes”. Quase um em cada cinco sente, com frequência, que “a vida não vale a pena ser vivida”. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE em 25 de março de 2026, em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação.
A pesquisa entrevistou 118.099 adolescentes em 4.167 escolas públicas e privadas de todo o país, segundo a Agência Brasil. É um retrato amplo, e preocupante, de como está o coração de uma geração.
Os números gerais
De acordo com o IBGE, considerando os 30 dias anteriores à entrevista:
- 28,9% dos estudantes se sentiram tristes na maioria das vezes ou sempre;
- 42,9% se sentiram “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”;
- 18,5% sentiram que a vida não vale a pena ser vivida.
Pela primeira vez, a pesquisa perguntou sobre a vontade de se “machucar de propósito” nos 12 meses anteriores: 32,0% responderam que sim.
A PeNSE também investigou a relação com a família. Segundo a Agência Brasil, 26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que “ninguém se preocupa” com eles; pouco mais de um terço achava que os pais ou responsáveis não entendiam seus problemas e preocupações; e 20% relataram ter sido agredidos fisicamente pelo pai, pela mãe ou por um responsável ao menos uma vez nos 12 meses anteriores.
Meninas, corpo e autoestima
Em todos os indicadores de saúde mental, os resultados entre as meninas foram piores, segundo o IBGE. A tristeza frequente atinge 41,0% delas e 16,7% dos meninos, e a vontade de se machucar de propósito aparece em 43,4% das meninas e 20,5% dos meninos.
A insatisfação com o próprio corpo também cresce. Em 2024, 58,0% dos estudantes se disseram satisfeitos ou muito satisfeitos com a própria imagem, contra 66,5% em 2019 e 70,2% em 2015. Entre as meninas, 36,1% declararam insatisfação, quase o dobro dos meninos (18,2%).
Houve melhora, mas o quadro segue grave
A pesquisadora e psicóloga Danielle Monteiro, ouvida pela Agência de Notícias do IBGE, destacou que quatro dos seis indicadores que já existiam na edição de 2019 apresentaram queda. Para comparação, a PeNSE 2019 havia registrado 31,4% de estudantes tristes na maioria das vezes ou sempre e 21,4% que sentiam que a vida não valia a pena.
Mesmo assim, ela alertou que os indicadores “ainda apresentaram resultados negativos superiores a muitos encontrados na literatura” sobre sentimentos de ansiedade e de depressão. Ou seja: melhorou, mas está longe de estar bem.
Dentro de casa e na escola: onde o apoio falha
Segundo a Agência Brasil, menos da metade dos alunos estudava em escola com algum tipo de suporte psicológico: 58,2% na rede privada e 45,8% na pública. Apenas 34,1% dos estudantes tinham acesso a um profissional de saúde mental no quadro da escola.
Isso aumenta a responsabilidade de quem está mais perto do adolescente todos os dias: a família e, para muitos, a comunidade de fé.
O que a fé cristã tem a oferecer
A Bíblia não esconde a dor emocional. Os Salmos estão cheios de lamentos honestos: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?” (Salmo 42.5). Elias pediu para morrer debaixo de um arbusto, e Deus respondeu primeiro com descanso, comida e presença (1 Reis 19.4-8), antes de qualquer correção.
Jesus convidou: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). E Paulo orienta os pais: “não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6.4).
Fé e cuidado profissional não competem. Orar por um filho em sofrimento e levá-lo a um psicólogo ou médico são atitudes que se completam.
Como pais e igrejas podem ajudar
- Escutar antes de corrigir. Mais de um terço dos estudantes sente que os pais não entendem seus problemas. Perguntas abertas e tempo sem pressa valem mais que conselhos prontos.
- Levar a sério os sinais. Isolamento, mudanças bruscas de sono ou apetite, falas sobre não querer viver e marcas no corpo exigem ação imediata, não broncas.
- Afastar a violência de casa. Um em cada cinco estudantes relatou agressão física de um responsável. Disciplina bíblica não se confunde com violência.
- Cuidar da imagem corporal, especialmente das meninas: evitar comentários sobre peso e aparência e reforçar que a identidade delas está em Deus, não no espelho ou nas redes.
- Grupos de jovens acolhedores. Líderes podem ser treinados para identificar sinais de sofrimento e encaminhar para a família e para profissionais.
- Conhecer a rede de apoio. Segundo o Ministério da Saúde, citado pela Agência Brasil, podem ser procurados os CAPS, as Unidades Básicas de Saúde, UPAs, o SAMU (192) e o Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188, gratuito e disponível 24 horas.
Conclusão
A PeNSE 2024 mostra adolescentes cansados, tristes e, muitas vezes, sozinhos. Pais atentos e igrejas acolhedoras podem ser, para eles, o primeiro lugar onde a dor é ouvida sem julgamento e onde a esperança do Evangelho é vivida de perto.
Se você ou alguém próximo está pensando em tirar a própria vida, ligue 188 (CVV) ou procure o serviço de saúde mais próximo.
Fontes
- IBGE – Agência de Notícias: Perda da vontade de viver atinge duas vezes mais meninas que meninos (25/03/2026)
- Agência Brasil – IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes (25/03/2026)
- IBGE – Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019
- Centro de Valorização da Vida – cvv.org.br
- Bíblia: Salmo 42.5; 1 Reis 19.4-8; Mateus 11.28; Efésios 6.4 (Almeida Revista e Atualizada)
Imagem de capa: Escuela16de17 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)