Casar no cartório é bem mais comum em alguns estados do que em outros. As Estatísticas do Registro Civil 2024, divulgadas pelo IBGE em 10 de dezembro de 2025, mostram que Rondônia (8,9) e o Distrito Federal (8,4) têm as maiores taxas de nupcialidade do país, medidas em casamentos por mil habitantes de 15 anos ou mais, enquanto o Piauí (3,2) e Sergipe (3,7) têm as menores. A média nacional é de 5,6. No outro lado da balança, os divórcios caíram em quatro das cinco regiões, mas subiram 9,1% no Norte.
Os números nacionais — 948.925 casamentos civis e 428.301 divórcios em 2024 — já foram analisados em nossa matéria sobre o Registro Civil. Aqui, o foco é outro: como a família formalizada em cartório se distribui pelo mapa do Brasil e o que muda de uma região para outra.
Onde mais se casa no civil
A taxa de nupcialidade legal compara o número de casamentos registrados com a população adulta de cada lugar. Ela permite comparar estados de tamanhos muito diferentes. Em 2024, o ranking do IBGE ficou assim nos extremos:
- Maiores taxas: Rondônia (8,9), Distrito Federal (8,4), Tocantins (7,0) e Acre (7,0).
- Menores taxas: Piauí (3,2), Sergipe (3,7), Rio Grande do Sul (4,0), Maranhão (4,2) e Rio Grande do Norte (4,6).
Entre as grandes regiões, o Centro-Oeste tem a maior taxa de nupcialidade do país. O Sudeste registrou 6,0 casamentos por mil habitantes adultos, o Sul, 5,2, e o Nordeste, 4,7, a menor entre as regiões.
Em números absolutos, o peso da população fala mais alto. Dos 948.925 casamentos de 2024, o Sudeste respondeu por 435.867, o Nordeste por 213.183, o Sul por 132.064, o Centro-Oeste por 89.014 e o Norte por 78.797.
Chama atenção a presença de estados do Norte e do Centro-Oeste no topo da lista, enquanto estados tradicionais do Nordeste e o Rio Grande do Sul aparecem entre as taxas mais baixas. O IBGE apresenta os números, mas não aponta as causas dessas diferenças. Por isso, cabe cautela: uma taxa baixa de casamento civil não significa, por si só, que haja menos famílias. Pode indicar, por exemplo, maior peso de uniões que não passam pelo cartório. Esse detalhe, porém, não é medido por esta pesquisa.
Casamentos cresceram em quatro regiões
Na comparação com 2023, o número de casamentos civis subiu 0,9% no país. O crescimento, porém, não foi uniforme. Segundo o IBGE, houve aumento no Centro-Oeste (2,6%), no Sul (2,3%), no Norte (1,5%) e no Sudeste (1,1%). O Nordeste foi a única região com queda, de 1,4%.
Isso significa que a região com a menor taxa de nupcialidade também foi a única a registrar menos casamentos de um ano para o outro. É um dado que merece a atenção de igrejas, ministérios de família e organizações que trabalham com preparação para o casamento na região.
Divórcios: queda geral, alta no Norte
Em todo o Brasil, foram 428.301 divórcios em 2024, somando os processos judiciais de 1ª instância e as escrituras feitas em cartório, uma queda de 2,8% em relação a 2023. Por região, o IBGE registrou:
- Centro-Oeste: queda de 11,8%, a maior do país;
- Nordeste: queda de 3,1%;
- Sudeste: queda de 2,5%;
- Sul: queda de 1,4%;
- Norte: alta de 9,1%, a única grande região com aumento.
Quando se olha a taxa geral de divórcios por mil habitantes, divulgada a partir dos dados do IBGE pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) e pela CNN Brasil, Rondônia lidera com 4,9, seguida pelo Distrito Federal (3,8) e por Mato Grosso do Sul (3,7). As menores taxas ficaram no Amapá (0,9) e em Roraima (0,2).
O paradoxo de Rondônia e do Distrito Federal
Um ponto salta aos olhos quando os dois rankings são colocados lado a lado. Rondônia e o Distrito Federal estão no topo tanto das taxas de casamento quanto das de divórcio. Ou seja, são lugares onde a formalização da vida conjugal em cartório é mais intensa nos dois sentidos: casa-se mais no civil e também se registra mais a dissolução dessas uniões.
O inverso também aparece em parte do Nordeste e do Sul. Segundo o IBGE, as regiões Sul e Nordeste têm os maiores tempos de duração dos casamentos que terminaram em divórcio em 2024, “apesar das menores taxas de nupcialidade”. No país, o tempo médio entre o casamento e o divórcio foi de 13,8 anos.
Esses números não medem, sozinhos, a saúde das famílias. Mas ajudam a enxergar realidades diferentes. Em alguns estados, o desafio pastoral pode estar em acompanhar casais nos primeiros anos, quando a formalização é alta e a ruptura também. Em outros, pode estar em incentivar a oficialização de uniões e em fortalecer casamentos que, embora durem mais, também enfrentam crises.
Recasamentos e guarda dos filhos
Dois dados nacionais ajudam a completar o retrato. O primeiro é o avanço dos recasamentos: em 2024, 31,1% dos casamentos registrados tinham pelo menos um cônjuge divorciado ou viúvo. Em 2004, essa proporção era de 13,5%. São famílias recompostas, com filhos de uniões anteriores, que pedem acolhimento e orientação próprios.
O segundo diz respeito às crianças. Entre os divórcios judiciais de casais com filhos menores, a guarda compartilhada (44,6%) superou a guarda exclusiva da mãe (42,6%). O dado mostra que, mesmo após a separação, cresce o número de pais que dividem legalmente a responsabilidade pela criação dos filhos.
O que o mapa diz à igreja
Para quem trabalha com famílias, o mapa do Registro Civil é uma ferramenta útil. Ele mostra que não existe uma única realidade brasileira. Uma igreja em Porto Velho, onde se casa e se divorcia mais, lida com um cenário diferente de uma congregação em Teresina, onde a taxa de casamento civil é a mais baixa do país.
Algumas aplicações práticas:
- Conhecer os dados do próprio estado antes de planejar cursos de noivos, encontros de casais ou aconselhamento;
- Acompanhar os primeiros anos do casamento, especialmente nas regiões com taxas de divórcio mais altas;
- Orientar casais que vivem juntos sem registro sobre a importância, inclusive jurídica, de formalizar a união;
- Acolher famílias recompostas, que já são quase um terço dos novos casamentos no país;
- Cuidar dos filhos de pais separados, que precisam de estabilidade e da presença de pai e mãe, mesmo em casas diferentes.
Os dados de 2024 são os mais recentes publicados pelo IBGE. A próxima edição das Estatísticas do Registro Civil, com informações de 2025, deve permitir verificar se a alta de divórcios no Norte e a queda de casamentos no Nordeste se confirmam como tendência.
Fontes
- IBGE, Agência de Notícias — Número de divórcios cai em 2024 após três anos de alta (10/12/2025). https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45423-numero-de-divorcios-cai-em-2024-apos-tres-anos-de-alta
- IBGE — Estatísticas do Registro Civil 2024, apresentação de resultados (dez. 2025). https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/031ad256f70356ed66b25e4ff01767cc.pdf
- IBDFAM — Divórcios caem e casamentos sobem em 2024, aponta IBGE (12/12/2025). https://ibdfam.org.br/noticias/13484/Div%C3%B3rcios+caem+e+casamentos+sobem+em+2024,+aponta+IBGE
- CNN Brasil — IBGE: Brasil tem queda de divórcios e aumento de casamentos civis em 2024 (10/12/2025). https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/ibge-brasil-tem-queda-de-divorcios-e-aumento-de-casamentos-civis-em-2024/