Criança segura a mão de um adulto ao ar livre
Imagem: Rene Terp / Pexels (Licença Pexels)

A Bíblia descreve a salvação como uma adoção: Deus nos acolhe como filhos. Essa verdade inspira muitas famílias cristãs a abrirem o coração e a casa para crianças que esperam por um lar.

Em abrigos e instituições de acolhimento em todo o país, há crianças e adolescentes aguardando uma família. Muitos já são maiores, alguns têm irmãos, outros têm necessidades específicas de saúde. Ao mesmo tempo, há famílias que desejam adotar, mas têm dúvidas sobre o processo e sobre como se preparar. A fé cristã oferece uma perspectiva profunda sobre a adoção, e a lei brasileira estabelece um caminho seguro para realizá-la.

A adoção no coração do Evangelho

Paulo usa a imagem da adoção para explicar o que Deus fez por nós. Ele escreve que Deus nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade (Efésios 1:5). Em Romanos, afirma que recebemos o Espírito que nos torna filhos, por meio do qual clamamos “Aba, Pai” (Romanos 8:15).

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Na adoção espiritual, Deus nos acolhe não por mérito, mas por amor. Ele nos dá um novo nome, uma nova família e uma herança. Essa verdade ajuda a compreender a adoção humana não como um ato de caridade, mas como a formação de uma família verdadeira, em que o filho adotivo é filho por inteiro.

O cuidado com órfãos na Bíblia

Ao longo das Escrituras, Deus se apresenta como protetor dos órfãos. O salmista o chama de “pai para os órfãos” (Salmos 68:5). Tiago afirma que a religião pura e imaculada diante de Deus inclui cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades (Tiago 1:27).

A Bíblia também traz exemplos de pessoas criadas por quem não era seu pai biológico. Moisés foi criado pela filha do faraó (Êxodo 2:10), e Ester foi criada por seu primo Mardoqueu (Ester 2:7). Jesus foi criado por José, que assumiu a responsabilidade de pai.

Motivações saudáveis

Adotar é uma decisão séria, que deve ser tomada com oração, reflexão e preparo. Algumas motivações não são adequadas, como tentar resolver uma crise conjugal ou substituir um filho que faleceu. O foco da adoção deve ser o bem da criança: oferecer a ela uma família permanente, amor e cuidado.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o processo de adoção é gratuito e deve ser iniciado na Vara da Infância e Juventude mais próxima da residência. A idade mínima para se habilitar é de 18 anos, independentemente do estado civil, respeitada a diferença de 16 anos entre quem adota e a criança.

De forma resumida, as principais etapas são:

  1. Pré-cadastro: é possível fazer um pré-cadastro no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do CNJ, e depois levar o número de protocolo à Vara da Infância.
  2. Documentação e pedido de habilitação: apresentação dos documentos exigidos na Vara da Infância e Juventude.
  3. Avaliação psicossocial: entrevistas e estudo realizados pela equipe técnica.
  4. Programa de preparação: a participação em um programa de preparação para adoção é requisito legal.
  5. Decisão judicial: com base no estudo psicossocial, na participação no programa e no parecer do Ministério Público, o juiz decide sobre a habilitação.
  6. Inscrição no SNA: com a habilitação deferida, os dados do pretendente são inseridos no sistema nacional.
  7. Aproximação e convivência: quando há compatibilidade, a Vara entra em contato para iniciar a aproximação e o estágio de convivência, até a sentença de adoção.

A habilitação tem validade de três anos e pode ser renovada. Como os procedimentos podem variar entre os estados, vale consultar a Vara da Infância da sua comarca.

A adoção legal protege a criança e a família. Por isso, caminhos informais devem ser evitados.

Como a igreja pode apoiar

  • Acolher as famílias adotivas com carinho e sem comentários indiscretos;
  • Oferecer apoio durante o processo e depois da chegada da criança;
  • Promover grupos de apoio para famílias que adotaram ou desejam adotar;
  • Apoiar instituições de acolhimento com voluntariado e recursos, seguindo as orientações delas;
  • Ensinar sobre a adoção como expressão do amor de Deus.

Outras formas de cuidar

Nem todas as famílias são chamadas a adotar. Mas todas podem contribuir: apoiando famílias adotivas, servindo em instituições de acolhimento, conhecendo programas de apadrinhamento ou acolhimento familiar existentes na sua cidade e orando pelas crianças que aguardam uma família.

Um convite para esta semana

Ore pelas crianças e adolescentes que esperam por uma família. Se você sente o desejo de adotar, converse com seu cônjuge, ore e procure a Vara da Infância da sua cidade para conhecer o processo. Se conhece uma família adotiva, ofereça seu apoio.

A adoção é um reflexo do coração de Deus, que acolhe, dá nome e chama de filho.

Citações bíblicas: Nova Versão Internacional (NVI).

Imagem de capa: Rene Terp / Pexels (Licença Pexels)

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