Ministro Cristiano Zanin, do STF
Ministro Cristiano Zanin, do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF (domínio público), via Wikimedia Commons

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na tarde deste domingo (25) a prorrogação, até as 19h (horário de Brasília), do encerramento da votação do segundo turno em todas as seções eleitorais do país. A decisão atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, que relatou falhas no transporte público de eleitores. Não há registro de medida semelhante desde a adoção da urna eletrônica, em 1994, de acordo com levantamento da Folha de S.Paulo junto a campanhas e organizadores de eleições.

O que diz a decisão

A decisão foi tomada na Reclamação 101.673, apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais contra as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas (BA), sob o argumento de descumprimento da decisão do STF que garante transporte público gratuito em dia de eleição. No texto, Zanin escreveu:

“Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje, e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até às 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento.”

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O relógio pesou contra a execução da ordem: o despacho foi registrado pouco antes das 17h e só ganhou divulgação quando as urnas já começavam a ser encerradas. Integrantes de mesas receptoras relataram ao UOL que não foram avisados.

Esclarecimento e totalização paralisada

A apuração chegou a começar e foi pausada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com cerca de 0,25% das urnas apuradas, segundo O Globo e UOL. Em novo despacho, Zanin esclareceu que a prorrogação valeria apenas onde as urnas ainda não tinham sido fechadas:

“Sem prejuízo das apurações necessárias oportunamente e suas consequências jurídicas, determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas (…), sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados.”

No mesmo despacho, o ministro afirmou que “as duas candidaturas que disputam as eleições presidenciais no segundo turno alegaram problemas no transporte de eleitores, razão pela qual concedi a medida liminar”.

TSE orienta os TREs às 17h49

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, assinou às 17h49 o Ofício-Circular nº 354/2026, orientando os Tribunais Regionais Eleitorais a manter em funcionamento até as 19h apenas as seções que ainda estivessem abertas, “em estrito cumprimento à determinação judicial”. Segundo o Estadão Conteúdo, os TREs reclamaram que não haviam sido comunicados oficialmente antes, o que levou ao fechamento de milhares de seções no horário original.

Na prática, cada lugar reagiu de um jeito na hora seguinte. Conforme apurou a CNN Brasil, houve seções que reabriram, outras que encerraram normalmente às 17h e até relatos de uso de cédula de papel depois que a urna eletrônica já tinha sido fechada. A contagem oficial ficou suspensa até as 19h, quando o TSE voltou a receber boletins e a divulgar números.

Os pedidos das duas campanhas

A campanha de Lula pediu a prorrogação primeiro para três cidades baianas e, depois, para municípios de nove estados: São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro, segundo o g1. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) também pediu ao TSE, nesta tarde, duas horas a mais de votação em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando chuvas, alagamentos e interdições de vias, e solicitou que a divulgação dos resultados só começasse após o fim da votação nesses locais, de acordo com a CartaCapital.

Pouco mais de uma hora antes do fim do horário original, Nunes Marques havia declarado que “a dificuldade no transporte já está sendo corrigida”, segundo a RFI.

Entre parlamentares de oposição e aliados de Flávio Bolsonaro, a liminar foi recebida como “interferência” do Judiciário, e já há anúncios de pedidos de impeachment do ministro — reações detalhadas em reportagem separada deste portal.

Foto de destaque: Ministro Cristiano Zanin, do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF (domínio público), via Wikimedia Commons (ficha da imagem)

Fontes

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