O Brasil teve 2.376.901 nascimentos em 2024, queda de 5,8% em relação a 2023 e o sexto recuo consecutivo da série iniciada em 1974. Os casamentos civis cresceram levemente, mas continuam abaixo do patamar anterior à pandemia, e os divórcios caíram pela primeira vez desde 2020. Os dados são das Estatísticas do Registro Civil 2024, a edição mais recente da pesquisa, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 10 de dezembro de 2025.
A pesquisa reúne informações de nascimentos, casamentos e óbitos informados pelos cartórios de registro civil, além dos divórcios judiciais e extrajudiciais. Juntos, esses números oferecem um dos retratos mais completos das transformações da família brasileira.
Menos bebês, mães mais velhas
Os 2,38 milhões de nascimentos ocorridos em 2024 (e registrados até o primeiro trimestre de 2025) ficaram bem abaixo dos 2,52 milhões de 2023. Todas as grandes regiões tiveram queda, com destaque para Sudeste (-6,3%), Norte (-6,2%) e Sul (-6,0%). Entre os estados, os maiores recuos foram no Acre (-8,7%), em Rondônia (-8,6%) e no Piauí (-8,2%).
O IBGE também registra uma mudança no perfil das mães: a proporção de nascimentos de mães com até 24 anos caiu de 51,7% em 2004 para 34,6% em 2024. Ou seja, os brasileiros estão tendo menos filhos e, em média, mais tarde.
Casamentos: leve alta, mas abaixo de antes da pandemia
Foram registrados 948.925 casamentos civis em 2024, alta de 0,9% sobre 2023. O Nordeste foi a única região com queda (-1,4%). Segundo o IBGE, os casamentos vinham em tendência de queda desde 2016, despencaram na pandemia e, desde então, oscilam sem voltar à média de 2015 a 2019.
As pessoas também estão se casando mais tarde. Entre solteiros de sexos diferentes, a idade média ao casar foi de 31,5 anos para os homens e 29,3 anos para as mulheres. Em 2004, 8,5% das mulheres que se casaram tinham 40 anos ou mais; em 2024, eram 25,3%. Entre os homens, a proporção passou de 13,2% para 31,3%.
Cresceu ainda a participação de recasamentos: em 2024, 31,1% dos casamentos entre pessoas de sexos diferentes tinham pelo menos um cônjuge divorciado ou viúvo, contra 13,5% em 2004. “A ampliação da idade ao se casar pode estar relacionada ao adiamento da decisão pelo casamento civil e ao aumento do número de recasamentos”, afirmou a gerente da pesquisa, Klívia Brayner.
O IBGE informou também que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo chegaram a 12.187 em 2024, o maior número da série iniciada em 2013.
Divórcios caem, e guarda compartilhada passa a predominar
O país registrou 428.301 divórcios em 2024 (em primeira instância ou por escritura em cartório), queda de 2,8% em relação a 2023. Foi a primeira redução desde 2020. A gerente da pesquisa ponderou, porém, que as variações são cíclicas: “é preciso esperar próximas divulgações para ver se esse comportamento indica alguma mudança de tendência”.
Para cada 100 casamentos entre pessoas de sexos diferentes, houve cerca de 45,7 divórcios, contra 47,4 em 2023. O tempo médio entre o casamento e o divórcio se manteve em 13,8 anos — em 2010, era de cerca de 16 anos. Entre os divórcios judiciais, 45,8% envolveram famílias apenas com filhos menores de idade, e 30,4%, casais sem filhos.
Uma mudança histórica: pela primeira vez, a guarda compartilhada (44,6%) superou os casos em que a guarda ficou apenas com a mãe (42,6%) nos divórcios judiciais com filhos menores. Em 2014, essas proporções eram de 7,5% e 85,1%. O IBGE atribui a inversão à Lei nº 13.058/2014, que passou a priorizar a guarda compartilhada mesmo sem acordo entre os pais, desde que ambos estejam aptos.
Um dado sobre os jovens
As estatísticas de óbitos trazem outro alerta para as famílias. Em 2024, 6,9% das mortes no país tiveram causas não naturais, como homicídios, suicídios e acidentes. Entre adolescentes e jovens de 15 a 29 anos, os homens tiveram 7,7 vezes mais mortes por causas não naturais do que as mulheres (27.575 contra 3.563).
Análise: o que os números dizem às famílias e às igrejas
Este trecho é uma análise editorial, sob perspectiva cristã.
Os dados do IBGE descrevem tendências de longo prazo — menos filhos, casamentos mais tardios, mais recasamentos. Não cabe à estatística julgar escolhas individuais, mas os números ajudam a compreender os desafios que muitas famílias enfrentam.
Para as comunidades cristãs, que veem o casamento e a família como dons de Deus, o retrato sugere algumas frentes de cuidado: preparar e acompanhar casais antes e depois do casamento; apoiar famílias em crise, sem estigmatizar quem passou por um divórcio; acolher famílias recompostas; e valorizar a maternidade e a paternidade num contexto de queda da natalidade.
O avanço da guarda compartilhada também lembra que, mesmo quando o casamento termina, a responsabilidade de pai e mãe continua. E a sobremortalidade de rapazes por causas violentas é um convite para que igrejas invistam em presença e mentoria junto aos jovens do sexo masculino.
Fontes
- IBGE — Agência de Notícias. “Número de divórcios cai em 2024 após três anos de alta” (10/12/2025). https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45423-numero-de-divorcios-cai-em-2024-apos-tres-anos-de-alta
- IBGE. Estatísticas do Registro Civil 2024 — Informativo. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/135/rc_2024_v51_informativo.pdf
- IBGE — SIDRA. Estatísticas do Registro Civil, quadros Brasil 2024. https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/registro-civil/quadros/brasil/2024
- Lei nº 13.058/2014 (guarda compartilhada). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13058.htm
Imagem de capa: Glen McCallum / Unsplash, via Wikimedia Commons (CC0)