Senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro
Senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. Foto: Agência Senado (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar até as 19h a votação do segundo turno neste domingo (25) provocou uma onda de críticas de parlamentares de oposição e de aliados do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Eles classificaram a medida como “interferência” do Judiciário no processo eleitoral e anunciaram pedidos de impeachment contra o ministro, que foi advogado do presidente Lula antes de ser indicado ao Supremo.

O que disseram os críticos

O coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), escreveu nas redes sociais, segundo o Valor Econômico:

“Impressionante o nível de intervenção [de] alguns ministros do STF. Espero sinceramente que o bom senso prevaleça e qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia.”

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À CNN Brasil, Marinho também chamou a decisão de “intempestiva”.

O deputado e senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou a jornalistas, segundo o Estadão Conteúdo: “É mais uma interferência do Judiciário, dos ministros que são aliados de Lula, para tentar reverter o que é irreversível. É um absurdo que o STF, sem ter nenhum respeito à autoridade do TSE, possa dar uma decisão como essa.” Jordy, ainda assim, pediu que os eleitores fossem votar.

O deputado e senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou no X um pedido de impeachment: “Protocolarei impeachment de Zanin por atuação desidiosa! Decidiu sem ter competência para tal e depois das 17h, quando o processo eleitoral já estava legalmente encerrado.” Ele também apontou o que chamou de “claro indício de suspeição”, por Zanin ter sido advogado de Lula, e cobrou que o presidente do TSE, Nunes Marques, se manifestasse.

O senador Jorge Seif (PL-SC) afirmou: “Já determinei a minha equipe que peça o impeachment de Cristiano Zanin, advogado de Lula.” O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou que “o único que é beneficiado pela prorrogação é o time que está perdendo”, segundo a CNN Brasil.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse ao Estadão: “Uma decisão tomada a poucos minutos do encerramento da votação, prorrogando o horário até as 19h, exige explicações claras sobre seus fundamentos e sua execução.” O prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) chamou a medida de “decisão, no mínimo, estranha”, afirmou que caberia ao TSE, e não ao STF, e negou que tenha faltado ônibus na capital.

Também criticaram a decisão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o senador eleito Deltan Dallagnol (PR) e o deputado Lucas Pavanato (PL-SP), segundo Estadão e CBN.

O outro lado

A prorrogação foi pedida pela campanha de Lula, que relatou frota de ônibus reduzida em várias cidades. Antes da decisão, o presidente chamou a situação de “banditismo” de prefeitos e disse: “Não vamos aceitar banditismo, mau caratismo de prefeito, de governador e de empresário”, segundo o UOL.

Zanin justificou a liminar afirmando que “as duas candidaturas que disputam as eleições presidenciais no segundo turno alegaram problemas no transporte de eleitores”. De fato, a campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido ao TSE a extensão do horário, mas restrita a 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por causa das chuvas. Até a noite, os críticos não haviam apresentado elementos concretos de que a decisão tivesse motivação eleitoral, observação também feita pela CBN.

Segundo o Valor, até o fim da tarde Flávio Bolsonaro não havia se pronunciado pessoalmente; a orientação da campanha era aguardar a proclamação do resultado.

Foto de destaque: Senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. Foto: Agência Senado (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons (ficha da imagem)

Fontes

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