Vista de uma aldeia hmong nas montanhas da província de Oudomxay, no Laos, com casas de madeira e telhados de palha ao longo de uma estrada
Imagem: Gerd Eichmann / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações” (Mateus 24.14). Quase dois mil anos depois dessas palavras de Jesus, quanto do mundo ainda não teve acesso real ao Evangelho? Uma das referências mais usadas por agências missionárias para responder a essa pergunta é o Joshua Project, iniciativa que mantém uma base de dados sobre grupos étnicos (os chamados “povos”) e o grau de presença cristã entre eles.

Os números, em consulta de 01/10/2026

Segundo o painel do Joshua Project, em consulta de 01/10/2026, contando cada povo uma vez em cada país onde vive, existem:

  • cerca de 16,4 mil grupos de povos identificados;
  • mais de 7 mil povos não alcançados, o equivalente a cerca de 44% do total;
  • cerca de 4,8 mil povos “de fronteira”, os menos alcançados de todos;
  • aproximadamente 3,6 bilhões de pessoas vivendo em povos não alcançados, cerca de 44% da população considerada pela base (mais de 8 bilhões).

Em outra contagem, apresentada na página inicial do Joshua Project, são cerca de 3,2 mil povos de fronteira, grupos em que menos de uma em cada mil pessoas segue a Cristo, que somam quase 1,9 bilhão de pessoas.

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Esses números são arredondados de propósito: a base é atualizada com frequência, e os valores exatos podem ser outros quando você ler este texto. Por isso, vale sempre indicar a data da consulta e conferir o painel oficial.

O que é um povo “não alcançado”?

Para o Joshua Project, um povo não alcançado (ou menos alcançado) é aquele em que não existe uma comunidade cristã local com número e recursos suficientes para evangelizar o próprio povo sem ajuda externa.

Na prática, o critério adotado é de até 2% de cristãos evangélicos e até 5% de pessoas que se declaram cristãs. A própria organização reconhece que esses percentuais são “um tanto arbitrários”, mas eles permitem comparar situações muito diferentes.

Os povos de fronteira são um subgrupo ainda mais extremo: têm 0,1% ou menos de cristãos e nenhum movimento confirmado e sustentado de fé em Cristo. Nesses lugares, segundo o Joshua Project, os obreiros pioneiros geralmente começam do zero, sem nenhum cristão local com quem fazer parceria.

Onde estão esses povos

Grande parte dos povos não alcançados está na chamada Janela 10/40, faixa que vai do norte da África ao Oriente Médio e à Ásia, entre as latitudes 10° e 40° norte. Segundo o Joshua Project, vivem ali cerca de 5,5 bilhões de pessoas, em mais de 8,5 mil grupos de povos. A região concentra a maior parte dos muçulmanos, hindus e budistas do mundo.

Entre os maiores povos não alcançados citados pela organização estão os Yadava, os turcos, os árabes marroquinos, os pashtuns, os jat e os birmaneses.

Por que falar em “povos” e não só em países?

O mandamento de Jesus é fazer discípulos de “todas as nações” (Mateus 28.19). A palavra grega usada no texto, ethnē, aponta para grupos humanos, não para fronteiras políticas. A visão de Apocalipse 7.9 descreve uma multidão “de todas as nações, tribos, povos e línguas” diante do trono.

Um país pode ter uma igreja forte na capital e, ao mesmo tempo, povos inteiros sem nenhum cristão, separados por língua, religião ou cultura. Pensar em povos ajuda a igreja a enxergar essas lacunas.

Uma leitura responsável dos dados

Os números do Joshua Project são estimativas. A própria organização mantém em seu site uma seção explicando de onde vêm os dados, como define “não alcançado” e “fronteira” e como protege informações sensíveis. Outras bases, como a do PeopleGroups.org, ligada à Junta de Missões Internacionais batista norte-americana (IMB), usam modelos diferentes de classificação e podem chegar a números distintos.

Isso não diminui o valor das informações. Mostra apenas que elas devem ser usadas como ferramenta de oração e planejamento, não como placar.

Como a igreja local pode se envolver

O próprio Joshua Project sugere caminhos simples, que qualquer congregação pode adaptar:

  1. Adotar um povo para orar. A igreja, o grupo pequeno ou a família escolhe um povo não alcançado, aprende sobre sua história e cultura e ora por ele com regularidade. O site oferece perfis e o mapa interativo Light the Nations.
  2. Levar o tema ao culto. Apresentar um “povo do mês” nos avisos, no boletim ou na escola bíblica mantém a visão missionária viva.
  3. Apoiar quem vai. Sustentar financeiramente e em oração missionários ligados a agências sérias que trabalham entre povos não alcançados.
  4. Formar e enviar. Identificar vocações na própria igreja e investir em preparo teológico, transcultural e linguístico.
  5. Alcançar quem está perto. Imigrantes e estudantes estrangeiros no Brasil podem pertencer a povos pouco alcançados em seus países de origem.

O apóstolo Paulo pergunta: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos 10.14-15). A resposta envolve quem vai, quem envia e quem ora.

Conclusão

Segundo o Joshua Project, mais de 7 mil povos, somando cerca de 3,6 bilhões de pessoas, ainda vivem sem uma igreja local capaz de alcançá-los. Os dados não servem para gerar culpa, mas para direcionar a oração e o envio. Cada número representa famílias, crianças e idosos por quem Cristo também morreu.

Fontes

Imagem de capa: Gerd Eichmann / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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